Será a morte da URL?

porRafael Cabral e Rodrigo Martins, de O Estado de S. Paulo
A barra de endereços do navegador já dá sinais de aposentadoria. Com formas mais diretas e hierarquizadas de se encontrar informações na internet como Google, links do Twitter e até câmera do celular, digitar http://www.site.com.br para chegar a uma página está caindo em desuso. Veja nas laterais destas páginas quais são as novas tecnologias responsáveis por esta mudança.
QR CODE
Quick Response Code (Código de Resposta Rápida) é a evolução do código de barras, em duas dimensões, criando uma integração entre os mundos físico e virtual. Basta tirar uma foto da imagem com o celular. Um software encaminha automaticamente para um texto ou imagem hospedado na internet, onde fica armazenado o conteúdo em questão. No Brasil, a primeira empresa a usar esse conceito em anúncios foi a loja eletrônica Fast Shop, em 2007, aqui no Link. Ainda não são todos os aparelhos que têm o dispositivo para a decodificação, mas os novos celulares já virão com a tecnologia integrada. De qualquer forma, há um programa gratuito que você pode baixar no bit.ly/quickresponse, e que atua da mesma maneira.
Os QR Codes, aos poucos, vêm sendo assimilados até pela cultura pop. A banda inglesa Pet Shop Boys utilizou dezenas deles no videoclipe da música “Integral”. Quando enquadrados pela câmera do seu telefone, eles levam para diferentes sites que tratam sobre a questão da privacidade.
O QR Code nada mais é do que um dos usos possíveis para a realidade aumentada – uma nova tecnologia que busca misturar os mundos real e virtual. Um exemplo disso está à sua direita. Apontado a webcam para o logo duplicado do Link, você irá para um post de nosso blog.
BUSCADORES
Vasculhando toda a web, mecanismos de busca como Google, Yahoo e Bing permitem acessar informações de forma direta e hierarquizada. Ou seja, para saber sobre um modelo de geladeira, não é preciso navegar por todo site todo para encontrá-lo, sequer entrar no site da fabricante. Pode até haver um blog que tenha mais relevância no assunto. “Isso faz que as pessoas se preocupem mais com a informação do que com o site em si. Assim, a URL perde valor, pois não se vai a um site específico”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.
Essa hierarquização se dá por meio da popularidade da página. Quanto mais linkada, mais relevante e confiável, diz Getschko.
Por conta dessa mudança, já há campanhas publicitárias que não divulgam URL, mas palavras-chave, mais fáceis de serem lembradas, para o usuário buscar. “Isso é muito usado no Japão, China, países que, por não usar o alfabeto romano têm dificuldades com URLs”, explica o diretor do Chrome, do Google, Brian Rakowski.
Segundo ele, há casos de sucesso nos EUA. Para aparecer em destaque no Google, diz, é preciso prepará-lo, comprando links patrocinados, estimulando cliques. “Se não tiver uma marca original e com destaque, talvez seria melhor divulgar palavras-chave para busca que o mostrem no topo do ranking.”
Redes sociais
A troca de links intensificou-se depois de Twitter e Facebook. A agilidade e instantaneidade para publicação de links já fez desses dois sites, ao lado dos buscadores, as maiores ameaças à URL. Esse compartilhamento de informações já ocorria antes em serviços de bookmarks, como o Delicious e até blogs e MSN. Só que agora ele é muito mais veloz e atinge um público muito maior. Com o fenômeno, as pessoas navegam pela internet via indicação dos amigos.
Na maioria das vezes, clicam num link encurtado, sem saber em qual site irão cair. “Quando estou numa comunidade de pessoas que compartilham os mesmos interesses, a probabilidade de receber indicações relevantes é grande. E em vez da URL, a credibilidade está no amigo que me indica o link”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.
Por isso, ter apenas um endereço para o seu site não basta, diz Roberto Martini, um dos sócios da agência de publicidade digital Cubo.cc. “É preciso ter várias URLs, que são os endereços dos perfis em cada rede social. Ou seja, quem tem um site também precisa estar no Facebook, no Orkut, no Twitter.”
Uma vez que a troca de links entre membros de uma rede é importante para se chegar a um site, estar em todas as redes ajuda a ser linkado. “É preciso gerar uma conversação. Quanto mais falarem e linkarem você, mais relevância terá.”
Encurtadores
No Twitter, nossos pensamentos têm limite: 140 caracteres. Não é muito lógico, portanto, que esse espaço seja ocupado por longos endereços da web. Quando o serviço de microblogging cresceu, popularizaram-se na sua esteira as páginas que encurtam URLs.
Em 2002, quatro anos antes do próprio Twitter surgir, o pioneiro TinyURL entrava no ar, oferecendo a compressão de endereços. Fanático por monociclos (aquelas bicicletas de uma roda só, usadas em circo), o desenvolvedor Kevin Gilbertson criou o site apenas para encurtar as postagens de um fórum sobre elas – e deu no que deu.
Porém, foi com a explosão do Twitter que esse e outros (hoje incontáveis) sites ganharam força. No Brasil, um dos mais populares é o Migre.me que, entre outros atributos, permite que você cheque a URL real que se esconde atrás da “máscara”. Por conta da invasão brasileira na rede social, o Migre.me chegou até a sair do ar em julho para reestruturar o seu banco de dados.
A maior crítica aos compressores comuns é a respeito da insegurança . No entanto, de acordo com o criador do TheRealURL, Nir Yariv, não há muito o que eles possam fazer além de oferecer o “desencurtamento”. “Não há meios para fiscalizar tudo o que se hospeda e ser 100% seguro”, diz.
Novas URLs
Um plano do órgão que gerencia os domínios da web, o Icann (na sigla em inglês), prevê uma revisão radical nas regras para cadastrar endereços. Em vez dos tradicionais .com, .net e afins, haveria uma infinidade de opções. O site da Amazon, por exemplo, poderia se tornar Amazon.books. O da Coca-Cola, coca.cola. As novas URLs, porém, ficariam praticamente restritas às grandes corporações, já que custariam entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.
Mesmo assim, o que se vê é que a simplificação dos códigos de acesso às páginas é uma tendência.
Enquanto as novas URLs não vêm, por exemplo, os sites já recorrem a domínios internacionais para simplificar suas URLs.
Países como Montenegro, que se separou da Sérvia em 2006, viraram paraísos para estas URLs . Ele permite endereços com final “.me” – o serviço Migre.me registrou seu endereço lá. A Líbia, permite endereços “site.ly”. Já São Vicente, uma ilha no Caribe, permite “.vc”. Segundo João Cabral, diretor da Agência Click, ter um endereço curto nesse formato é útil para mostrar mais credibilidade. “Usamos Twitter para divulgar produtos como os da Fiat. É melhor ter a nossa própria URL curta do que encurtadores externos. As pessoas sabem que estão clicando num site da empresa”, diz ele, que criou a URL Fiat.vc.

url_dead

porRafael Cabral e Rodrigo Martins, de O Estado de S. Paulo

A barra de endereços do navegador já dá sinais de aposentadoria. Com formas mais diretas e hierarquizadas de se encontrar informações na internet como Google, links do Twitter e até câmera do celular, digitar http://www.site.com.br para chegar a uma página está caindo em desuso. Veja nas laterais destas páginas quais são as novas tecnologias responsáveis por esta mudança.

QR CODE

Quick Response Code (Código de Resposta Rápida) é a evolução do código de barras, em duas dimensões, criando uma integração entre os mundos físico e virtual. Basta tirar uma foto da imagem com o celular. Um software encaminha automaticamente para um texto ou imagem hospedado na internet, onde fica armazenado o conteúdo em questão. No Brasil, a primeira empresa a usar esse conceito em anúncios foi a loja eletrônica Fast Shop, em 2007, aqui no Link. Ainda não são todos os aparelhos que têm o dispositivo para a decodificação, mas os novos celulares já virão com a tecnologia integrada. De qualquer forma, há um programa gratuito que você pode baixar no bit.ly/quickresponse, e que atua da mesma maneira.

Os QR Codes, aos poucos, vêm sendo assimilados até pela cultura pop. A banda inglesa Pet Shop Boys utilizou dezenas deles no videoclipe da música “Integral”. Quando enquadrados pela câmera do seu telefone, eles levam para diferentes sites que tratam sobre a questão da privacidade.

O QR Code nada mais é do que um dos usos possíveis para a realidade aumentada – uma nova tecnologia que busca misturar os mundos real e virtual. Um exemplo disso está à sua direita. Apontado a webcam para o logo duplicado do Link, você irá para um post de nosso blog.

BUSCADORES

Vasculhando toda a web, mecanismos de busca como Google, Yahoo e Bing permitem acessar informações de forma direta e hierarquizada. Ou seja, para saber sobre um modelo de geladeira, não é preciso navegar por todo site todo para encontrá-lo, sequer entrar no site da fabricante. Pode até haver um blog que tenha mais relevância no assunto. “Isso faz que as pessoas se preocupem mais com a informação do que com o site em si. Assim, a URL perde valor, pois não se vai a um site específico”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.

Essa hierarquização se dá por meio da popularidade da página. Quanto mais linkada, mais relevante e confiável, diz Getschko.

Por conta dessa mudança, já há campanhas publicitárias que não divulgam URL, mas palavras-chave, mais fáceis de serem lembradas, para o usuário buscar. “Isso é muito usado no Japão, China, países que, por não usar o alfabeto romano têm dificuldades com URLs”, explica o diretor do Chrome, do Google, Brian Rakowski.

Segundo ele, há casos de sucesso nos EUA. Para aparecer em destaque no Google, diz, é preciso prepará-lo, comprando links patrocinados, estimulando cliques. “Se não tiver uma marca original e com destaque, talvez seria melhor divulgar palavras-chave para busca que o mostrem no topo do ranking.”

Redes sociais

A troca de links intensificou-se depois de Twitter e Facebook. A agilidade e instantaneidade para publicação de links já fez desses dois sites, ao lado dos buscadores, as maiores ameaças à URL. Esse compartilhamento de informações já ocorria antes em serviços de bookmarks, como o Delicious e até blogs e MSN. Só que agora ele é muito mais veloz e atinge um público muito maior. Com o fenômeno, as pessoas navegam pela internet via indicação dos amigos.

Na maioria das vezes, clicam num link encurtado, sem saber em qual site irão cair. “Quando estou numa comunidade de pessoas que compartilham os mesmos interesses, a probabilidade de receber indicações relevantes é grande. E em vez da URL, a credibilidade está no amigo que me indica o link”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.

Por isso, ter apenas um endereço para o seu site não basta, diz Roberto Martini, um dos sócios da agência de publicidade digital Cubo.cc. “É preciso ter várias URLs, que são os endereços dos perfis em cada rede social. Ou seja, quem tem um site também precisa estar no Facebook, no Orkut, no Twitter.”

Uma vez que a troca de links entre membros de uma rede é importante para se chegar a um site, estar em todas as redes ajuda a ser linkado. “É preciso gerar uma conversação. Quanto mais falarem e linkarem você, mais relevância terá.”

Encurtadores

No Twitter, nossos pensamentos têm limite: 140 caracteres. Não é muito lógico, portanto, que esse espaço seja ocupado por longos endereços da web. Quando o serviço de microblogging cresceu, popularizaram-se na sua esteira as páginas que encurtam URLs.

Em 2002, quatro anos antes do próprio Twitter surgir, o pioneiro TinyURL entrava no ar, oferecendo a compressão de endereços. Fanático por monociclos (aquelas bicicletas de uma roda só, usadas em circo), o desenvolvedor Kevin Gilbertson criou o site apenas para encurtar as postagens de um fórum sobre elas – e deu no que deu.

Porém, foi com a explosão do Twitter que esse e outros (hoje incontáveis) sites ganharam força. No Brasil, um dos mais populares é o Migre.me que, entre outros atributos, permite que você cheque a URL real que se esconde atrás da “máscara”. Por conta da invasão brasileira na rede social, o Migre.me chegou até a sair do ar em julho para reestruturar o seu banco de dados.

A maior crítica aos compressores comuns é a respeito da insegurança . No entanto, de acordo com o criador do TheRealURL, Nir Yariv, não há muito o que eles possam fazer além de oferecer o “desencurtamento”. “Não há meios para fiscalizar tudo o que se hospeda e ser 100% seguro”, diz.

Novas URLs

Um plano do órgão que gerencia os domínios da web, o Icann (na sigla em inglês), prevê uma revisão radical nas regras para cadastrar endereços. Em vez dos tradicionais .com, .net e afins, haveria uma infinidade de opções. O site da Amazon, por exemplo, poderia se tornar Amazon.books. O da Coca-Cola, coca.cola. As novas URLs, porém, ficariam praticamente restritas às grandes corporações, já que custariam entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.

Mesmo assim, o que se vê é que a simplificação dos códigos de acesso às páginas é uma tendência.

Enquanto as novas URLs não vêm, por exemplo, os sites já recorrem a domínios internacionais para simplificar suas URLs.

Países como Montenegro, que se separou da Sérvia em 2006, viraram paraísos para estas URLs . Ele permite endereços com final “.me” – o serviço Migre.me registrou seu endereço lá. A Líbia, permite endereços “site.ly”. Já São Vicente, uma ilha no Caribe, permite “.vc”. Segundo João Cabral, diretor da Agência Click, ter um endereço curto nesse formato é útil para mostrar mais credibilidade. “Usamos Twitter para divulgar produtos como os da Fiat. É melhor ter a nossa própria URL curta do que encurtadores externos. As pessoas sabem que estão clicando num site da empresa”, diz ele, que criou a URL Fiat.vc.

Post in Estadão

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s