A Revolta dos Muros

São Paulo, como todo centro urbano, tornou-se um espaço neutralizado, homogeneizado. Um espaço da indiferença, dos guetos, das raças, dos signos. Cada instante da vida é perdido na consumação da diferença entre seus milhões de signos.

Tudo é concebido e projetado pelo habitat, transporte, trabalho, lazer, jogo, cultura. São Paulo não é mais um espaço geográfico. Sua verdade se tornou o gueto da televisão, da publicidade, dos leitores lidos de antemão, dos consumidores/consumidos, dos decodificadores codificados, dos circulantes/circulados, dos distraentes/distraídos do lazer. Em cada espaço da vida urbana se forma um gueto, e todos se conectam entre si.

O espaço de solidariedade – da antiga fábrica, do antigo quarteirão e da antiga classe social – desapareceu, todos separados por modelos de comportamento, em delírios de identificação. O levante do paulistano está em dizer: “Eu existo, eu sou tal, eu faço isso, eu vivo aqui e agora”. Apenas a revolta da identidade: combater o anonimato reivindicando uma realidade exclusiva.

Na contramão disso tudo, aparecem os muros, com seus graffitis, celebrando a obscuridade. Eles não buscam conquistar uma identidade impossível, mas o extermínio dessa mesma busca – não querem dizer nada, são apenas registros simbólicos para derrotar o sistema comum, como se fossem a própria revolta dos signos. Explodem como um antidiscurso, numa recusa de toda elaboração sintática, poética e política.

Não têm intimidade ou vida privada, mas vivem uma intensa troca coletiva. O que reivindicam não é a identidade. Ao avesso, são feitos para serem doados, trocados, transmitidos ou religados entre si, num anonimato coletivo, no qual se declaram uma propriedade de ninguém.

Posted in Pedro Rosas

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Big Brother Brasil Um Programa Imbecil!

 

 

 

 

 

 

 

 

O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, acaba de retornar ao Brasil com os versos mais afiados que nunca depois da polêmica causada com o cordel “Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso“.

Desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado “Big Brother Brasil, um programa imbecil” ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos):

 

 

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *

Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.

Sugestão de Dona Marisa (minha mãe)

Twitter é o astro da mídia espontânea

Nos últimos 30 dias, rede social teve quase US$ 50 milhões em mídia gratuita nos EUA, contra, por exemplo, US$ 580 mil do novo mecanismo de busca Bing
21/07/2009 – 14:50
O Twitter está se consagrando como um grande astro da mídia. Isso porque as suas aparições em telejornais, talk shows, reportagens em jornais e revistas já somam US$ 48 milhões em espaço ocupado nos últimos 30 dias nos Estados Unidos.
A rede social recebeu 2,75 bilhões de citações, com a televisão respondendo por 57% do valor total de mídia ocupado, 37% para jornais e 5% para revistas. Quem gerou valor de mídia para o Twitter nos Estados Unidos foi a Fox News, à frente de CNN.
Considerando-se as citações em jornais menores, o valor pode chegar ao dobro disso, de acordo com Peter Wengryn, CEO da VMS, a empresa que fez esse levantamento.
Só para se ter uma ideia, isso é metade do que a Microsoft planeja investir em marketing para lançar o mecanismo de buscas Bing. E a nova empreitada da empresa de software teve espaço na mídia de apenas US$ 574 mil, e 63 milhões de citações, números muito inferiores aos do Twitter.
Para o vice-presidente de mídia integrada da VMS, Gary Getto, o valor apontado é muito grande e ele jamais pensou que “algo pudesse ser mais popular do que o Google”, referindo-se a uma comparação que fez entre a cobertura sobre Google e Twitter no período.
Da AdAge.

Nos últimos 30 dias, rede social teve quase US$ 50 milhões em mídia gratuita nos EUA, contra, por exemplo, US$ 580 mil do novo mecanismo de busca Bing

O Twitter está se consagrando como um grande astro da mídia. Isso porque as suas aparições em telejornais, talk shows, reportagens em jornais e revistas já somam US$ 48 milhões em espaço ocupado nos últimos 30 dias nos Estados Unidos.

A rede social recebeu 2,75 bilhões de citações, com a televisão respondendo por 57% do valor total de mídia ocupado, 37% para jornais e 5% para revistas. Quem gerou valor de mídia para o Twitter nos Estados Unidos foi a Fox News, à frente de CNN.

Considerando-se as citações em jornais menores, o valor pode chegar ao dobro disso, de acordo com Peter Wengryn, CEO da VMS, a empresa que fez esse levantamento.

Só para se ter uma ideia, isso é metade do que a Microsoft planeja investir em marketing para lançar o mecanismo de buscas Bing. E a nova empreitada da empresa de software teve espaço na mídia de apenas US$ 574 mil, e 63 milhões de citações, números muito inferiores aos do Twitter.

Para o vice-presidente de mídia integrada da VMS, Gary Getto, o valor apontado é muito grande e ele jamais pensou que “algo pudesse ser mais popular do que o Google”, referindo-se a uma comparação que fez entre a cobertura sobre Google e Twitter no período.

Da AdAge.

Post in Meio&Mensagem

Será a morte da URL?

porRafael Cabral e Rodrigo Martins, de O Estado de S. Paulo
A barra de endereços do navegador já dá sinais de aposentadoria. Com formas mais diretas e hierarquizadas de se encontrar informações na internet como Google, links do Twitter e até câmera do celular, digitar http://www.site.com.br para chegar a uma página está caindo em desuso. Veja nas laterais destas páginas quais são as novas tecnologias responsáveis por esta mudança.
QR CODE
Quick Response Code (Código de Resposta Rápida) é a evolução do código de barras, em duas dimensões, criando uma integração entre os mundos físico e virtual. Basta tirar uma foto da imagem com o celular. Um software encaminha automaticamente para um texto ou imagem hospedado na internet, onde fica armazenado o conteúdo em questão. No Brasil, a primeira empresa a usar esse conceito em anúncios foi a loja eletrônica Fast Shop, em 2007, aqui no Link. Ainda não são todos os aparelhos que têm o dispositivo para a decodificação, mas os novos celulares já virão com a tecnologia integrada. De qualquer forma, há um programa gratuito que você pode baixar no bit.ly/quickresponse, e que atua da mesma maneira.
Os QR Codes, aos poucos, vêm sendo assimilados até pela cultura pop. A banda inglesa Pet Shop Boys utilizou dezenas deles no videoclipe da música “Integral”. Quando enquadrados pela câmera do seu telefone, eles levam para diferentes sites que tratam sobre a questão da privacidade.
O QR Code nada mais é do que um dos usos possíveis para a realidade aumentada – uma nova tecnologia que busca misturar os mundos real e virtual. Um exemplo disso está à sua direita. Apontado a webcam para o logo duplicado do Link, você irá para um post de nosso blog.
BUSCADORES
Vasculhando toda a web, mecanismos de busca como Google, Yahoo e Bing permitem acessar informações de forma direta e hierarquizada. Ou seja, para saber sobre um modelo de geladeira, não é preciso navegar por todo site todo para encontrá-lo, sequer entrar no site da fabricante. Pode até haver um blog que tenha mais relevância no assunto. “Isso faz que as pessoas se preocupem mais com a informação do que com o site em si. Assim, a URL perde valor, pois não se vai a um site específico”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.
Essa hierarquização se dá por meio da popularidade da página. Quanto mais linkada, mais relevante e confiável, diz Getschko.
Por conta dessa mudança, já há campanhas publicitárias que não divulgam URL, mas palavras-chave, mais fáceis de serem lembradas, para o usuário buscar. “Isso é muito usado no Japão, China, países que, por não usar o alfabeto romano têm dificuldades com URLs”, explica o diretor do Chrome, do Google, Brian Rakowski.
Segundo ele, há casos de sucesso nos EUA. Para aparecer em destaque no Google, diz, é preciso prepará-lo, comprando links patrocinados, estimulando cliques. “Se não tiver uma marca original e com destaque, talvez seria melhor divulgar palavras-chave para busca que o mostrem no topo do ranking.”
Redes sociais
A troca de links intensificou-se depois de Twitter e Facebook. A agilidade e instantaneidade para publicação de links já fez desses dois sites, ao lado dos buscadores, as maiores ameaças à URL. Esse compartilhamento de informações já ocorria antes em serviços de bookmarks, como o Delicious e até blogs e MSN. Só que agora ele é muito mais veloz e atinge um público muito maior. Com o fenômeno, as pessoas navegam pela internet via indicação dos amigos.
Na maioria das vezes, clicam num link encurtado, sem saber em qual site irão cair. “Quando estou numa comunidade de pessoas que compartilham os mesmos interesses, a probabilidade de receber indicações relevantes é grande. E em vez da URL, a credibilidade está no amigo que me indica o link”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.
Por isso, ter apenas um endereço para o seu site não basta, diz Roberto Martini, um dos sócios da agência de publicidade digital Cubo.cc. “É preciso ter várias URLs, que são os endereços dos perfis em cada rede social. Ou seja, quem tem um site também precisa estar no Facebook, no Orkut, no Twitter.”
Uma vez que a troca de links entre membros de uma rede é importante para se chegar a um site, estar em todas as redes ajuda a ser linkado. “É preciso gerar uma conversação. Quanto mais falarem e linkarem você, mais relevância terá.”
Encurtadores
No Twitter, nossos pensamentos têm limite: 140 caracteres. Não é muito lógico, portanto, que esse espaço seja ocupado por longos endereços da web. Quando o serviço de microblogging cresceu, popularizaram-se na sua esteira as páginas que encurtam URLs.
Em 2002, quatro anos antes do próprio Twitter surgir, o pioneiro TinyURL entrava no ar, oferecendo a compressão de endereços. Fanático por monociclos (aquelas bicicletas de uma roda só, usadas em circo), o desenvolvedor Kevin Gilbertson criou o site apenas para encurtar as postagens de um fórum sobre elas – e deu no que deu.
Porém, foi com a explosão do Twitter que esse e outros (hoje incontáveis) sites ganharam força. No Brasil, um dos mais populares é o Migre.me que, entre outros atributos, permite que você cheque a URL real que se esconde atrás da “máscara”. Por conta da invasão brasileira na rede social, o Migre.me chegou até a sair do ar em julho para reestruturar o seu banco de dados.
A maior crítica aos compressores comuns é a respeito da insegurança . No entanto, de acordo com o criador do TheRealURL, Nir Yariv, não há muito o que eles possam fazer além de oferecer o “desencurtamento”. “Não há meios para fiscalizar tudo o que se hospeda e ser 100% seguro”, diz.
Novas URLs
Um plano do órgão que gerencia os domínios da web, o Icann (na sigla em inglês), prevê uma revisão radical nas regras para cadastrar endereços. Em vez dos tradicionais .com, .net e afins, haveria uma infinidade de opções. O site da Amazon, por exemplo, poderia se tornar Amazon.books. O da Coca-Cola, coca.cola. As novas URLs, porém, ficariam praticamente restritas às grandes corporações, já que custariam entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.
Mesmo assim, o que se vê é que a simplificação dos códigos de acesso às páginas é uma tendência.
Enquanto as novas URLs não vêm, por exemplo, os sites já recorrem a domínios internacionais para simplificar suas URLs.
Países como Montenegro, que se separou da Sérvia em 2006, viraram paraísos para estas URLs . Ele permite endereços com final “.me” – o serviço Migre.me registrou seu endereço lá. A Líbia, permite endereços “site.ly”. Já São Vicente, uma ilha no Caribe, permite “.vc”. Segundo João Cabral, diretor da Agência Click, ter um endereço curto nesse formato é útil para mostrar mais credibilidade. “Usamos Twitter para divulgar produtos como os da Fiat. É melhor ter a nossa própria URL curta do que encurtadores externos. As pessoas sabem que estão clicando num site da empresa”, diz ele, que criou a URL Fiat.vc.

url_dead

porRafael Cabral e Rodrigo Martins, de O Estado de S. Paulo

A barra de endereços do navegador já dá sinais de aposentadoria. Com formas mais diretas e hierarquizadas de se encontrar informações na internet como Google, links do Twitter e até câmera do celular, digitar http://www.site.com.br para chegar a uma página está caindo em desuso. Veja nas laterais destas páginas quais são as novas tecnologias responsáveis por esta mudança.

QR CODE

Quick Response Code (Código de Resposta Rápida) é a evolução do código de barras, em duas dimensões, criando uma integração entre os mundos físico e virtual. Basta tirar uma foto da imagem com o celular. Um software encaminha automaticamente para um texto ou imagem hospedado na internet, onde fica armazenado o conteúdo em questão. No Brasil, a primeira empresa a usar esse conceito em anúncios foi a loja eletrônica Fast Shop, em 2007, aqui no Link. Ainda não são todos os aparelhos que têm o dispositivo para a decodificação, mas os novos celulares já virão com a tecnologia integrada. De qualquer forma, há um programa gratuito que você pode baixar no bit.ly/quickresponse, e que atua da mesma maneira.

Os QR Codes, aos poucos, vêm sendo assimilados até pela cultura pop. A banda inglesa Pet Shop Boys utilizou dezenas deles no videoclipe da música “Integral”. Quando enquadrados pela câmera do seu telefone, eles levam para diferentes sites que tratam sobre a questão da privacidade.

O QR Code nada mais é do que um dos usos possíveis para a realidade aumentada – uma nova tecnologia que busca misturar os mundos real e virtual. Um exemplo disso está à sua direita. Apontado a webcam para o logo duplicado do Link, você irá para um post de nosso blog.

BUSCADORES

Vasculhando toda a web, mecanismos de busca como Google, Yahoo e Bing permitem acessar informações de forma direta e hierarquizada. Ou seja, para saber sobre um modelo de geladeira, não é preciso navegar por todo site todo para encontrá-lo, sequer entrar no site da fabricante. Pode até haver um blog que tenha mais relevância no assunto. “Isso faz que as pessoas se preocupem mais com a informação do que com o site em si. Assim, a URL perde valor, pois não se vai a um site específico”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.

Essa hierarquização se dá por meio da popularidade da página. Quanto mais linkada, mais relevante e confiável, diz Getschko.

Por conta dessa mudança, já há campanhas publicitárias que não divulgam URL, mas palavras-chave, mais fáceis de serem lembradas, para o usuário buscar. “Isso é muito usado no Japão, China, países que, por não usar o alfabeto romano têm dificuldades com URLs”, explica o diretor do Chrome, do Google, Brian Rakowski.

Segundo ele, há casos de sucesso nos EUA. Para aparecer em destaque no Google, diz, é preciso prepará-lo, comprando links patrocinados, estimulando cliques. “Se não tiver uma marca original e com destaque, talvez seria melhor divulgar palavras-chave para busca que o mostrem no topo do ranking.”

Redes sociais

A troca de links intensificou-se depois de Twitter e Facebook. A agilidade e instantaneidade para publicação de links já fez desses dois sites, ao lado dos buscadores, as maiores ameaças à URL. Esse compartilhamento de informações já ocorria antes em serviços de bookmarks, como o Delicious e até blogs e MSN. Só que agora ele é muito mais veloz e atinge um público muito maior. Com o fenômeno, as pessoas navegam pela internet via indicação dos amigos.

Na maioria das vezes, clicam num link encurtado, sem saber em qual site irão cair. “Quando estou numa comunidade de pessoas que compartilham os mesmos interesses, a probabilidade de receber indicações relevantes é grande. E em vez da URL, a credibilidade está no amigo que me indica o link”, explica o diretor do Nic.br, Demi Getschko.

Por isso, ter apenas um endereço para o seu site não basta, diz Roberto Martini, um dos sócios da agência de publicidade digital Cubo.cc. “É preciso ter várias URLs, que são os endereços dos perfis em cada rede social. Ou seja, quem tem um site também precisa estar no Facebook, no Orkut, no Twitter.”

Uma vez que a troca de links entre membros de uma rede é importante para se chegar a um site, estar em todas as redes ajuda a ser linkado. “É preciso gerar uma conversação. Quanto mais falarem e linkarem você, mais relevância terá.”

Encurtadores

No Twitter, nossos pensamentos têm limite: 140 caracteres. Não é muito lógico, portanto, que esse espaço seja ocupado por longos endereços da web. Quando o serviço de microblogging cresceu, popularizaram-se na sua esteira as páginas que encurtam URLs.

Em 2002, quatro anos antes do próprio Twitter surgir, o pioneiro TinyURL entrava no ar, oferecendo a compressão de endereços. Fanático por monociclos (aquelas bicicletas de uma roda só, usadas em circo), o desenvolvedor Kevin Gilbertson criou o site apenas para encurtar as postagens de um fórum sobre elas – e deu no que deu.

Porém, foi com a explosão do Twitter que esse e outros (hoje incontáveis) sites ganharam força. No Brasil, um dos mais populares é o Migre.me que, entre outros atributos, permite que você cheque a URL real que se esconde atrás da “máscara”. Por conta da invasão brasileira na rede social, o Migre.me chegou até a sair do ar em julho para reestruturar o seu banco de dados.

A maior crítica aos compressores comuns é a respeito da insegurança . No entanto, de acordo com o criador do TheRealURL, Nir Yariv, não há muito o que eles possam fazer além de oferecer o “desencurtamento”. “Não há meios para fiscalizar tudo o que se hospeda e ser 100% seguro”, diz.

Novas URLs

Um plano do órgão que gerencia os domínios da web, o Icann (na sigla em inglês), prevê uma revisão radical nas regras para cadastrar endereços. Em vez dos tradicionais .com, .net e afins, haveria uma infinidade de opções. O site da Amazon, por exemplo, poderia se tornar Amazon.books. O da Coca-Cola, coca.cola. As novas URLs, porém, ficariam praticamente restritas às grandes corporações, já que custariam entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.

Mesmo assim, o que se vê é que a simplificação dos códigos de acesso às páginas é uma tendência.

Enquanto as novas URLs não vêm, por exemplo, os sites já recorrem a domínios internacionais para simplificar suas URLs.

Países como Montenegro, que se separou da Sérvia em 2006, viraram paraísos para estas URLs . Ele permite endereços com final “.me” – o serviço Migre.me registrou seu endereço lá. A Líbia, permite endereços “site.ly”. Já São Vicente, uma ilha no Caribe, permite “.vc”. Segundo João Cabral, diretor da Agência Click, ter um endereço curto nesse formato é útil para mostrar mais credibilidade. “Usamos Twitter para divulgar produtos como os da Fiat. É melhor ter a nossa própria URL curta do que encurtadores externos. As pessoas sabem que estão clicando num site da empresa”, diz ele, que criou a URL Fiat.vc.

Post in Estadão

Marcas, Massas e Métricas, a web está com muito mais força

O resultado de uma série de pesquisas divulgadas recentemente mostram que a internet já virou mídia de massa. Independente da fonte (IBOPE, IPSOS, DataFolha, Comitê Gestor), já temos cerca de 60 ou 65 milhões de brasileiros com acesso, dos quais cerca de 30 milhões utilizam a rede pelo menos uma vez por semana, somente nas principais regiões metropolitanas. Nesses locais, o contato com a web supera jornais, revistas e TV por assinatura, de acordo com o Ibope.

A próxima grande transformação é quando a massa virar mídia – ou seja, as redes sociais, blogs, wikis, etc., superarem ou empatarem com a mídia tradicional. Algumas pesquisas divulgadas recentemente sugerem que esta transformação está a caminho. Segundo a comScore, já são mais de 700 milhões de internautas mundialmente utilizando este tipo de site, com uma média verificada de quase 4 horas mensais.

Os números dão uma face quantitativa para um fenômeno qualitativamente muito mais importante – a publicidade baseada na exposição de marca não comanda mais sozinha o processo de compra. Talvez ela nunca tenha comandado mesmo na mídia analógica, mas era difícil medir isso. Agora não é mais. O estudo global da Nielsen sobre consumidores mostra que as opiniões dos internautas já empatam em termos de credibilidade (70%) com os sites de marcas e superam a publicidade na TV, jornais e revistas. Em estudo similar, de 2007, esse número era de 61%.

Em pouco tempo, vamos ver o aparecimento de sistemas de ROI em mídia social capazes de justificar um investimento mais agressivo em iniciativas neste campo. O IAB divulgou em maio um guia de métricas para mídias sociais cobrindo razoavelmente os aspectos quantitativos da utilização de blogs, wikis, widgets, etc. É um primeiro passo. O próximo será incorporar análises qualitativas, que levem em conta não somente a intensidade, mas principalmente a ressonância dos comentários nas redes sociais. Essa combinação irá transformar a mídia social digital em uma das mais efetivas formas de branding na próxima década.

Fonte: Blue Bus – 28/07 – Marcelo Coutinho